Vamos Falar Sobre o Natal | My Life as Veganisa

16:50


Muito se escreve sobre o Natal, ou (a) bem, ou (a) mal, mas escreve-se. Para além disso, também se fatura um tanto com este tipo de "tradição", que tais como todas as outras tradições traz consigo uns quantos senão's agarrados. 

Talvez também por isso me sinta compelida a falar sobre este assunto tão relevante para a maioria do mundo em que me insiro, sem no entanto sucumbir a tal tradição do Natal. Vou ser-vos o mais sincera que posso, e, como este é o meu espaço na Internet, esta é a minha opinião e visão lógica da época natalícia, e como tal, vale o que vale. 

Portanto, comecemos pelo princípio:
O natal é uma época festiva, que se baseia na celebração de um acontecimento cristão (começamos mal) e que acontece no dia 25 de Dezembro. Como já devem ter percebido pelo meu discurso, não sou lá muito religiosa, até porque odeio hierarquias, de que tipo for, e acho uma estupidez pegada fazermos o bem, agirmos de forma correcta e fazermos deste mundo um local melhor para se viver apenas porque o Santo X ou Jesus Y o dizem. Desculpem-me os crentes, mas se fazemos determinada boa ação pois é isso que alguém dita que temos de fazer, e esta é a melhor forma de obtermos passagem certa para o céu, então estamos a fazer o bem apenas para congratulação própria futura, que há-de ser um conceito à parte de altruísmo. Mas tudo bem, nem todos temos de ser altruístas.

Anyways, não é só por esta razão que odeio não gosto do Natal. (Odiar é uma palavra muito forte, e mais adequada a canções típicas desta época festiva, que me fazem convulsionar sempre que as oiço ao fundo fundinho do meu ouvido interno). Existem muitas outras razões que tornam o Natal insuportável, e que vos vou tentar traduzir por parcas palavras (que, para uma pessoa que não sabe resumir como eu, corresponde sempre a palavras a mais).

No Natal assistimos às mais questionáveis e audazes campanhas publicitárias que permitem aos mais distraídos e adormecidos (incluindo os que preferem adormecer a acordar para a realidade consumista) a apoderarem-se de 90% de merdas que não lembram ao Cristo Rei para podermos surpreender de forma supérflua aquela tia que sempre odiámos ou o primo a quem nunca falamos e nos lembramos que existe 15 dias antes da Consoada. Os outros 10% são divididos entre o Bolo Rei, o bacalhau e o polvo, tudo isto para celebrar a vida/ nascimento do querido Jesus (é Jesus não é? Sou terrível com nomes), mas esquecendo que, tal como esta mítica figura da imaginação de todo um mundo dormente como o nosso, também os animais que nos servem à mesa além de sencientes têm famílias e vidas próprias, quase à semelhança do cão ou gato que dorme connosco na cama todas as noites e às 6 da matina decide atazanar-nos a cabeça porque lhe dá na moina. Vendo bem as coisas, talvez estes animais que servimos como comida ainda sejam mais benevolentes connosco que os chamados animais de estimação.

Como se isto não bastasse, temos a estupidez de recursos gastos nesta época, porque sim, e porque é bonito. Refiro-me a toda a comida desperdiçada, e que nesta altura quase aposto que duplica (se não triplicar, ou quadruplicar, etc), bem como as horas que todos nós temos de trabalhar “a mais” só para podermos comprar aquele relógio de 180 euros que vai ficar a matar naquele jantar de Natal da empresa. Não falaremos dos recursos energéticos gastos em troco de um dia do ano, em que todos devemos ser benevolentes e ser bons uns com os outros, porque “é Natal”, e por isso as aparências do que é ou deve ser são mais importantes e pesam tanto quanto platina.

“Então e as crianças? O Natal é especial por causa das crianças”. As crianças são de facto seres especiais, que, na verdade não vos sei explicar se é pela sua ingenuidade e inocência, ou pela sua impulsividade natural e característica, mas acho que não é o Natal que as faz especiais, e acredito que esta falácia do Natal Especial Porcausa das Crianças é construída apenas por nós, e só por nós destruída. E porquê destruir algo especial perguntarão os mais cépticos? Pois bem, tenho cá uma convicção em mim que a recompensação com presentes só transforma as crianças em adultos materialistas e focados na recompensa pelo físico. Atenção que com este discurso não estou a dizer que isto acontece sempre ou que não devemos dar presentes às crianças, quero antes dar ênfase ao facto de não termos de o fazer obrigatoriamente, nem numa data específica do ano, e só por “obrigação social” desta sociedade onde vivemos, e o mesmo se aplica às prendas aos adultos, na minha opinião.

Em jeito de conclusão, não me interpretem de forma errada: eu acho que todos nós continuamos a merecer feriados e recompensações monetárias porque também merecemos (à semelhança do subsídio de Natal neste caso), e o facto de haver Natal é uma forma de os obtermos enquanto cidadãos trabalhadores desta sociedade. No entanto, acho que é só ignorante continuarmos a achar que, desta forma, estamos a construir uma sociedade civilizada, quando cada vez mais observamos os resultados da educação materialista que damos às crianças e gerações futuras, dando o mínimo de atenção às consequências imediatas que o consumismo capitalista está a trazer ao nosso planeta, neste momento agora. Os resultados, esses, estão longe da vista e da nossa “segura” família, por isso até conseguirmos ver com os nossos olhos são “histórias da Internet”.

O meu desejo para este Natal é que todos nós acordemos no dia 26 com a consciência renovada, e a mínima noção das consequências dos nossos actos, e que todos nós lutássemos pela igualdade de direitos, de forma a renovar a paz neste mundo, mas como alguém uma vez me confessou, sou muito ambiciosa…


Também deves gostar disto:

0 opiniões

Posts Recentes