Muito se escreve sobre o Natal, ou (a) bem, ou (a) mal, mas
escreve-se. Para além disso, também se fatura um tanto com este tipo de
"tradição", que tais como todas as outras tradições traz consigo uns
quantos senão's agarrados.
Talvez também por isso me sinta compelida a falar sobre este
assunto tão relevante para a maioria do mundo em que me insiro, sem no entanto
sucumbir a tal tradição do Natal. Vou ser-vos o mais sincera que posso, e, como
este é o meu espaço na Internet, esta é a minha opinião e visão lógica da época
natalícia, e como tal, vale o que vale.
Portanto, comecemos pelo princípio:
O natal é uma época festiva, que se baseia na celebração de um
acontecimento cristão (começamos mal) e que acontece no dia 25 de Dezembro.
Como já devem ter percebido pelo meu discurso, não sou lá muito religiosa, até
porque odeio hierarquias, de que tipo for, e acho uma estupidez pegada fazermos
o bem, agirmos de forma correcta e fazermos deste mundo um local melhor para se
viver apenas porque o Santo X ou Jesus Y o dizem. Desculpem-me os crentes, mas
se fazemos determinada boa ação pois é isso que alguém dita que temos de fazer,
e esta é a melhor forma de obtermos passagem certa para o céu, então estamos a
fazer o bem apenas para congratulação própria futura, que há-de ser um conceito
à parte de altruísmo. Mas tudo bem, nem todos temos de ser altruístas.
Anyways, não é só por esta razão que odeio não gosto do
Natal. (Odiar é uma palavra muito forte, e mais adequada a canções típicas
desta época festiva, que me fazem convulsionar sempre que as oiço ao fundo
fundinho do meu ouvido interno). Existem muitas outras razões que tornam o
Natal insuportável, e que vos vou tentar traduzir por parcas palavras (que,
para uma pessoa que não sabe resumir como eu, corresponde sempre a palavras a
mais).
No Natal assistimos às mais questionáveis e audazes campanhas
publicitárias que permitem aos mais distraídos e adormecidos (incluindo os que
preferem adormecer a acordar para a realidade consumista) a apoderarem-se de
90% de merdas que não lembram ao Cristo Rei para podermos surpreender de forma
supérflua aquela tia que sempre odiámos ou o primo a quem nunca falamos e nos
lembramos que existe 15 dias antes da Consoada. Os outros 10% são divididos entre
o Bolo Rei, o bacalhau e o polvo, tudo isto para celebrar a vida/ nascimento do
querido Jesus (é Jesus não é? Sou terrível com nomes), mas esquecendo que, tal
como esta mítica figura da imaginação de todo um mundo dormente como o nosso,
também os animais que nos servem à mesa além de sencientes têm famílias e vidas
próprias, quase à semelhança do cão ou gato que dorme connosco na cama todas as
noites e às 6 da matina decide atazanar-nos a cabeça porque lhe dá na moina. Vendo
bem as coisas, talvez estes animais que servimos como comida ainda sejam mais
benevolentes connosco que os chamados animais de estimação.
Como se isto não bastasse, temos a estupidez de recursos gastos
nesta época, porque sim, e porque é bonito. Refiro-me a toda a comida
desperdiçada, e que nesta altura quase aposto que duplica (se não triplicar, ou
quadruplicar, etc), bem como as horas que todos nós temos de trabalhar “a mais”
só para podermos comprar aquele relógio de 180 euros que vai ficar a matar
naquele jantar de Natal da empresa. Não falaremos dos recursos energéticos
gastos em troco de um dia do ano, em que todos devemos ser benevolentes e ser
bons uns com os outros, porque “é Natal”, e por isso as aparências do que é ou
deve ser são mais importantes e pesam tanto quanto platina.
“Então e as crianças? O Natal é especial por causa das crianças”.
As crianças são de facto seres especiais, que, na verdade não vos sei explicar
se é pela sua ingenuidade e inocência, ou pela sua impulsividade natural e
característica, mas acho que não é o Natal que as faz especiais, e acredito que
esta falácia do Natal Especial Porcausa das Crianças é construída apenas por
nós, e só por nós destruída. E porquê destruir algo especial perguntarão os
mais cépticos? Pois bem, tenho cá uma convicção em mim que a recompensação com
presentes só transforma as crianças em adultos materialistas e focados na
recompensa pelo físico. Atenção que com este discurso não estou a dizer que
isto acontece sempre ou que não devemos dar presentes às crianças, quero antes
dar ênfase ao facto de não termos de o fazer obrigatoriamente, nem numa data
específica do ano, e só por “obrigação social” desta sociedade onde vivemos, e
o mesmo se aplica às prendas aos adultos, na minha opinião.
Em jeito de conclusão, não me interpretem de forma errada: eu acho
que todos nós continuamos a merecer feriados e recompensações monetárias porque
também merecemos (à semelhança do subsídio de Natal neste caso), e o facto de
haver Natal é uma forma de os obtermos enquanto cidadãos trabalhadores desta
sociedade. No entanto, acho que é só ignorante continuarmos a achar que, desta
forma, estamos a construir uma sociedade civilizada, quando cada vez mais
observamos os resultados da educação materialista que damos às crianças e
gerações futuras, dando o mínimo de atenção às consequências imediatas que o
consumismo capitalista está a trazer ao nosso planeta, neste momento agora. Os
resultados, esses, estão longe da vista e da nossa “segura” família, por isso
até conseguirmos ver com os nossos olhos são “histórias da Internet”.
O meu desejo para este Natal é que todos nós acordemos no dia 26
com a consciência renovada, e a mínima noção das consequências dos nossos
actos, e que todos nós lutássemos pela igualdade de direitos, de forma a
renovar a paz neste mundo, mas como alguém uma vez me confessou, sou muito
ambiciosa…



































